Operações de Barter ou Financiamento Bancário, qual o mais vantajoso?
Um dos financiamentos mais utilizados no setor agropecuário é a chamada operação de barter, ou, em português mais claro, operação de troca. Esta operação consiste, basicamente, na troca de insumos (fertilizantes, defensivos, corretivos, etc) pela promessa de entrega futura da produção (soja, milho, boi gordo, café, etc).
Imaginemos que um produtor de Sorriso/MT precise, em novembro de 2008, adquirir uma quantidade de fertilizante equivalente a US$ 100.000,00 para aplicar no plantio de sua lavoura de soja. O produtor segue para negociar com seu fornecedor a obtenção dos insumos naquele momento para pagamento em sacas de soja na colheita (Abril de 2009). Após algum tempo de avaliação, o fornecedor informa que o produtor precisará garantir, através de Cédula de Produto Rural (CPR), a entrega de 6.486 sacas de soja na época da colheita para conseguir os fertilizantes.
A proposta do fornecedor é justa ou seria melhor pegar o financiamento oferecido pelo banco?
Para poder avaliar qual das duas alternativas é a melhor opção ao produtor é preciso, primeiramente, entender a lógica das duas operações de financiamento.
Quando o produtor decide pelo financiamento tradicional, ele fixa uma dívida cujo custo é explícito, o juros. Caso as cotações da soja sofram queda, sua dívida continua inalterada e assim o produtor poderá arcar com prejuízos caso não tenha realizado uma proteção (hedge) em mercados futuros.
Quanto o produtor se financia através de barter, ele assume uma venda antecipada da produção, recebendo o pagamento em insumos. Nesse caso, ele está se protegendo contra possíveis quedas nas cotações da soja, já que sua dívida está indexada à cotação da soja. Apesar de não estar explícito, há uma taxa de juros embutida nessa operação.
Entre outras avaliações que o produtor deve fazer ao escolher forma de financiar o custeio de sua lavoura, um fator muito importante para sua avaliação é justamente a comparação entre a taxa de juro embutida na operação de barter e o juro do financiamento bancário. Caso o produtor verifique que o juro do barter seja abusivo, maior que do financiamento bancário, ele deve optar pelo financiamento bancário e realizar sua proteção de preços (hedge) por conta própria (melhor: com o auxílio de um especialista!). E vice versa!
Descobrir a taxa de juros da operação de barter será o foco de nossa análise!
Obs.: Para avaliação dessa operação é necessário um nível mínimo de conhecimento de matemática financeira e mercados futuros. Caso haja dúvidas em qualquer ponto da análise, favor postar comentário com sua(s) dúvida(s) para que possamos eliminá-las.
Vejamos então o fluxo da operação de barter para, posteriormente, entender passo a passo o processo de negociação e análise financeira.
Um dos financiamentos mais utilizados no setor agropecuário é a chamada operação de barter, ou, em português mais claro, operação de troca. Esta operação consiste, basicamente, na troca de insumos (fertilizantes, defensivos, corretivos, etc) pela promessa de entrega futura da produção (soja, milho, boi gordo, café, etc).
Imaginemos que um produtor de Sorriso/MT precise, em novembro de 2008, adquirir uma quantidade de fertilizante equivalente a US$ 100.000,00 para aplicar no plantio de sua lavoura de soja. O produtor segue para negociar com seu fornecedor a obtenção dos insumos naquele momento para pagamento em sacas de soja na colheita (Abril de 2009). Após algum tempo de avaliação, o fornecedor informa que o produtor precisará garantir, através de Cédula de Produto Rural (CPR), a entrega de 6.486 sacas de soja na época da colheita para conseguir os fertilizantes.
A proposta do fornecedor é justa ou seria melhor pegar o financiamento oferecido pelo banco?
Para poder avaliar qual das duas alternativas é a melhor opção ao produtor é preciso, primeiramente, entender a lógica das duas operações de financiamento.
Quando o produtor decide pelo financiamento tradicional, ele fixa uma dívida cujo custo é explícito, o juros. Caso as cotações da soja sofram queda, sua dívida continua inalterada e assim o produtor poderá arcar com prejuízos caso não tenha realizado uma proteção (hedge) em mercados futuros.
Quanto o produtor se financia através de barter, ele assume uma venda antecipada da produção, recebendo o pagamento em insumos. Nesse caso, ele está se protegendo contra possíveis quedas nas cotações da soja, já que sua dívida está indexada à cotação da soja. Apesar de não estar explícito, há uma taxa de juros embutida nessa operação.
Entre outras avaliações que o produtor deve fazer ao escolher forma de financiar o custeio de sua lavoura, um fator muito importante para sua avaliação é justamente a comparação entre a taxa de juro embutida na operação de barter e o juro do financiamento bancário. Caso o produtor verifique que o juro do barter seja abusivo, maior que do financiamento bancário, ele deve optar pelo financiamento bancário e realizar sua proteção de preços (hedge) por conta própria (melhor: com o auxílio de um especialista!). E vice versa!
Descobrir a taxa de juros da operação de barter será o foco de nossa análise!
Obs.: Para avaliação dessa operação é necessário um nível mínimo de conhecimento de matemática financeira e mercados futuros. Caso haja dúvidas em qualquer ponto da análise, favor postar comentário com sua(s) dúvida(s) para que possamos eliminá-las.
Vejamos então o fluxo da operação de barter para, posteriormente, entender passo a passo o processo de negociação e análise financeira.
Fonte: Azimute Agronegócios.
Processo de negociação para o exemplo citado:
1) O produtor solicita ao fornecedor, na época do pré-plantio (Nov/09), US$ 100.000,00 em insumos para pgto em soja na colheita (Abril/09);
2) O Fornecedor verifica a cotação da soja, na Bolsa de Mercadorias e Futuros, no vencimento/contrato equivalente ao da promessa de pagamento do produtor (maio/09).
Data da negociação: 10/11/2009
Promessa de Pagamento: Abril/09
Contrato Equivalente na BM&F: Maio/2009
Cotação: US$ 20,50 por saca (Paranaguá/PR)
3) O Fornecedor estipula, com base em série histórica, a diferença de cotação entre Paranaguá/PR e a praça de entrega da soja (Sorriso/MT); (Essa diferença é chamada de diferença de base)
Diferença de Base: -US$ 2,00 por saca
4) Assim, o fornecedor chega ao valor local de mercado da soja para maio/09, que é igual à cotação futura menos a diferença de base: US$ 20,50 – US$ 2,00 = US$ 18,50
5) Lembrando que o fornecedor estipulou 6.486 sacas de soja para poder disponibilizar o fertilizante ao produtor. Isso equivale a 6.486 sacas x US$ 18,50 = US$ 119.991,00
Neste ponto, vale ressaltar que o fornecedor já tinha definido o juros a ser cobrado do produtor e o utilizou para calcular o valor total do pagamento futuro de US$ 119.991,00. A taxa de juros é calculada considerando fatores de mercado e também a capacidade de pagamento do produtor (risco de inadimplência).
Agora, para saber qual a taxa de juro implícita nessa operação de barter basta utilizar uma regra clássica da matemática financeira:
VF = VP * (1 + r)
Onde,
VF = Valor Futuro = Valor Local de Mercado de 6.486 sacas de Soja para maio/09 = US$ 119.991,00
VP = Valor Presente = Valor Atual dos Insumos = US$ 100.000,00
r = Taxa de Juros
Portanto: r = (VF – VP)/VP = US$ 19.991,00 / US$ 100.000,00 = 19,99%
Resultado
O produtor está pagando uma taxa de juros implícita de 19,99% para um período de aproximadamente 5 meses. Isso equivale a aproximadamente 3,7% ao mês.
Serão postados no blog maiores informações sobre esse tipo de financiamento ao produtor rural. Caso tenha interesse em algum assunto específico, basta solicitar no blog Azimute Agronegócios.
Processo de negociação para o exemplo citado:
1) O produtor solicita ao fornecedor, na época do pré-plantio (Nov/09), US$ 100.000,00 em insumos para pgto em soja na colheita (Abril/09);
2) O Fornecedor verifica a cotação da soja, na Bolsa de Mercadorias e Futuros, no vencimento/contrato equivalente ao da promessa de pagamento do produtor (maio/09).
Data da negociação: 10/11/2009
Promessa de Pagamento: Abril/09
Contrato Equivalente na BM&F: Maio/2009
Cotação: US$ 20,50 por saca (Paranaguá/PR)
3) O Fornecedor estipula, com base em série histórica, a diferença de cotação entre Paranaguá/PR e a praça de entrega da soja (Sorriso/MT); (Essa diferença é chamada de diferença de base)
Diferença de Base: -US$ 2,00 por saca
4) Assim, o fornecedor chega ao valor local de mercado da soja para maio/09, que é igual à cotação futura menos a diferença de base: US$ 20,50 – US$ 2,00 = US$ 18,50
5) Lembrando que o fornecedor estipulou 6.486 sacas de soja para poder disponibilizar o fertilizante ao produtor. Isso equivale a 6.486 sacas x US$ 18,50 = US$ 119.991,00
Neste ponto, vale ressaltar que o fornecedor já tinha definido o juros a ser cobrado do produtor e o utilizou para calcular o valor total do pagamento futuro de US$ 119.991,00. A taxa de juros é calculada considerando fatores de mercado e também a capacidade de pagamento do produtor (risco de inadimplência).
Agora, para saber qual a taxa de juro implícita nessa operação de barter basta utilizar uma regra clássica da matemática financeira:
VF = VP * (1 + r)
Onde,
VF = Valor Futuro = Valor Local de Mercado de 6.486 sacas de Soja para maio/09 = US$ 119.991,00
VP = Valor Presente = Valor Atual dos Insumos = US$ 100.000,00
r = Taxa de Juros
Portanto: r = (VF – VP)/VP = US$ 19.991,00 / US$ 100.000,00 = 19,99%
Resultado
O produtor está pagando uma taxa de juros implícita de 19,99% para um período de aproximadamente 5 meses. Isso equivale a aproximadamente 3,7% ao mês.
Serão postados no blog maiores informações sobre esse tipo de financiamento ao produtor rural. Caso tenha interesse em algum assunto específico, basta solicitar no blog Azimute Agronegócios.
2 comentários:
Se um produtor de soja estimou o custo de sua lavoura em R$ 2.300/ha. Qual a melhor alternativa para comercializar/financiar a produção.Que alternativa você indica como a mais viavel? pegar credito de custeio com taxa juros 8,00% ano, fazer venda antecipada; contrair emprestimo a custo de 2,10% ao mes e fazer venda antecipada, ou fazerescambo do custo por hectare por 36,30/sc.
Caro leitor anônimo,
precisaria de mais informações para te dar uma avaliação completa de seu problema.
Fiquei espantado com seu custo, é mto alto! Tem certeza que é realmente esse seu custo de produção? Não confundiu com a produtividade de 2.300kg?
Quanto à melhor alternativa, se conseguir o crédito de custeio a 8,00% ao ano, não pense duas vezes, pegue pois vc estará sendo subsidiado! Essa taxa está abaixo até mesmo da taxa selic, que é de 8,75% ao ano.
Posso te ajudar mais, contudo, preciso de algumas informações. Caso tenha interesse, favor preencher nosso formulário de contato colocando seu e-mail. Basta clicar em CONTATO no menu de nosso blog.
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